domingo, 16 de março de 2014

Um dia de Março de 2014.

                Coisas de todo dia que precisam ser explicadas, ou pelo menos explicitadas. Quinta feira - a semana já está perto do fim, e eu também. Levanto cansado e atordoado. Cansado de ter trabalhado 10 tempos na quarta feira e pensar que terei pela quinta feira mais 12 tempos me fazem perder a fé no mundo. Saio tal e qual um zumbi a zanzar pela rua, o caminho que é longo até a parada dos ônibus, parece mais longo ainda. São seis e meia da manhã e já está muito calor. Deve estar uns 30 graus as seis da manhã. Chego no ponto, espero uns 10 minutos e chega a van. Nem dou bola pras pessoas que estão no ponto. As pessoas parecem sempre tão fechadas. Tem uns dois ou três estudantes, uma mulher gostosinha também sonolenta e um homem, vestido com uniforme. Na van, só tem lugar em pé. Entro como o zumbi que permaneço sendo desde que saí de casa. No ponto seguinte consegui me sentar.
                Chegando na escola, um alerta. A polícia invadiu a Vila Kennedy e podem estar vindo pros lados de cá uma turma de traficantes da pesada. Só rio e entro na escola, torcendo pras aulas serem interrompidas. Calor infernal, professores conservadores e alunos dispersos. Essa combinação não faz parte de um ambiente pedagogicamente saudável. Passam-se os tempos sem maiores sobressaltos. Alunos brigando, guerra de comida, dificuldade na comunicação. E a fome aumentava progressivamente... Porque não tomei um suco verde antes de sair de casa? Preguiça do caralho. Fico em jejum até a hora do almoço. Saio da escola e andando em direção ao ponto, almoço num pé-sujo delicioso. Um dos melhores arroz branco dos últimos três anos! Come-se a vontade por um preço barato. Copos oleosos e garfos frágeis. Pela rua até mais o ponto, o calor aumenta. Bangu é realmente lindo. Deve estar uma sensação de uns 45 graus. Minha roupa empapada de suor causa uma sensação esquisita de estar molhado, mas de suor. E ainda tenho sete tempos em Campo Grande. Turmas preparatórias: adolescentes embrasados de hormônios e arrogância. Explicações racionais e fome de informações. Chego à instituição e as aulas também correm dentro do previsto, o que a essa altura do campeonato nem sei se é bom ou ruim. Lá pelas 4 da tarde comecei a achar que a quinta feira não chegaria ao fim e que eu ficaria preso nesse dia pra sempre. Batendo o sinal do intervalo, saio furtivamente pra comer e voltar. O tempo se arrasta. Não vejo mais vantagem em estar no ar condicionado, preferia estar em casa a qualquer custo, quase choro. Mantenho a pose e seguro a onda até as 20h, quando saio de lá, já com as pernas semi-dormentes de ficar em pé.

                Vou pegar a Queila na faculdade. Ora, paro na Rodoviária de Campo Grande, compro um Derby a varejo, boto quatro músicas do Bebeto na máquina e bebo duas cervejas pra lavar a minha alma. O calor continua, o que só aumenta o valor da cerveja. Bêbados dançando, pessoas apressadas e eu ali me deleitando do néctar de cevada gelado. Na van ainda vou sonhando com minha casa, ao lado da janela, com vento no rosto, fantasiando Easy Rider depois de um dia de trabalho. Encontro a Queila e vamos pra casa num taxi. Chegando em casa, temos janta. Luxo. Comemos e ao irmos dormir, mesmo cansados, ainda nos entregamos um ao outro com paixão, fazendo a quinta feira realmente valer a pena. Depois de tudo, com carinho e afeto, vamos logo dormir. Amanhã tem mais 6 tempos!

Um comentário:

Tia Queila disse...

Dez tempos na quinta é foda... Só mesmo uma cervejinha e um amorzinho pra fechar bem o dia. Conta comigo para os dois.