sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A Academia e suas funções.

Essa discussão dá o que falar. Pra que serve a universidade? Segundo o artigo 2º do Regimento da UFF, é o seguinte:

Art. 2º - A UFF tem por finalidade:
I – manter, desenvolver e aperfeiçoar o ensino nas unidades que a integram, bem como promover outras atividades necessárias à plena realização de seus objetivos;
II – promover a pesquisa filosófica, científica e tecnológica, literária e artística;
III – formar pessoal para o exercício das profissões liberais e técnicocientíficas e de magistério, bem como para o desempenho de altas funções na vida pública e privada;
IV – estender à comunidade, sob a forma de cursos e serviços especiais, as atividades de ensino e os resultados da pesquisa;
V – cooperar com as entidades públicas e privadas na realização de trabalhos de pesquisa e serviços técnico-profissionais, visando ao desenvolvimento fluminense;
VI – estimular os serviços relativos à formação moral e histórica da civilização brasileira, em todos os seus aspectos;
VII – desenvolver o espírito universitário; e
VIII – desenvolver harmonicamente e aperfeiçoar em seus aspectos moral, intelectual e físico a personalidade dos alunos.


Então, vejam bem... apesar do esforço do texto documental para passar uma rigidez no sentido acadêmico, de formação profissional, e essas coisas mais formais, em alguns tópicos citam formações morais e espíritos universitários. O problema é que a grande maioria dos calouros de graduação não vêem dessa forma. Esperam uma formação quadrada, que os formate para seguir um modelo. O que é errado. Deforma o espírito e a alma.
A academia, a universidade serve como um potencializador da sua humanidade. É ali o lugar onde podemos nos formar de modo integral, não só para sairmos dali professores, médicos, engenheiros, físicos e outras coisas. Mas para sairmos Joões, Marias, Pedros, Otávios, Rafaéis dentre tantos outros. Quem entra na universidade para se formar apenas profissionalmente perde grande oportunidade de conhecer um outro universo.
Ao entrar na universidade, mude. Freqüente festas de quem você nunca viu, envolva-se com aquelas pessoas. xingue desconhecidos, fique bêbado algumas vezes, tenha sensações, busque sensações que nunca teve oportunidade, e com certeza, você sairá dela melhor ser humano do que entrou.
Agora se você entrar em um espaço desses com o objetivo único e exclusivo de se tornar um profissional, você vai estar trocando os pés pelas mãos, e será um indivíduo torto, tosco, sem brilho, será somente mais um.
Eu me motivei a escrever sobre isso depois que em uma festa de um colega, uma jovem se aproximou de mim e disse que estava cursando uma licenciatura na UFRJ e que não estava aprendendo nada, que os professores não ensinavam ela a ser uma professora. Ora, tadinha... ela queria ser formatada, enquadrada. Não recomendei na hora, mas aqui eu recomendo: saia dessa aula e se embebede. Viva esse espaço, porque depois haverá menos possibilidades. Viaje com as pessoas da universidade. São muitos Fóruns, Encontros e afins. Mesmo que você não conheça ninguém, vá. Você irá conhecer...
Isso sim, curtir a universidade é a verdadeira potencialização do espírito.

5 comentários:

Mauro disse...

Fantástico, Jair! É o que eu sempre digo. Não adianta estar no teatro, na universidade, ou em qualquer outro lugar esperando absorver um conteúdo puramente técnico, teórico, pronto pra ser engolido. O que vale, o que reforça a proposta da troca de saberes é justamente a oportunidade de conviver com pessoas diferentes, inteligências diferentes, olhares diferentes do mundo.

Bruno disse...

Cara, eu adoraria seguir suas sugestões se eu tivesse tempo para tal.
Gostaria de me embebedar, fazer novas amizades e tal.

Mas pra uma pessoa que sai de casa às 6hs e chega as 22hs todo dia e ainda tem aulas aos sábados até 12hs, não me parece mto possivel.

O tempo que me sobra (sabado de 12hs em diante e domingo o dia inteiro), infelizmente, eu tenho que estudar. Ou então ir pra casa da namorada, ou descansar, ou fazer obrigações que não puderam ser feitas durante a semana.

Enfim. Aquele modelo de American Pie está longe de ser possivelmente seguido por alguns.


Valeu.

Jair Junior disse...

Caro Bruno,
Sei das dificuldades que a classe trabalhadora, principalmente em sua porção mais empobrecida passa, porém, eu estou falando do seu ideal, e além disso; se entregar inteiramente ali, não vendo somente a questão técnica, porque de fato você vai estar ali perdendo e noa ganhando. Sua frustração vai ser grande. No meu tempo de faculdade, eu passava muitas dificuldades. Passava porque dava pra passar. Existiam períodos que eu só conseguis fazer duas disciplinas porque trabalhava e toda a rotina que você bem conhece. Mas em determinado momento, eu joguei tudo pro alto, vivia com muito menos, abri mão de laguns luxos, algumas mordomias, algumas coisas que eu achava que dava pra abrir mão, pra curtir aquele momento que eu achava único.

Bruno disse...

Tô ligado.

O problema é que eu estudo em faculdade particular. Ou seja tenho q trabalhar pra pagá-lá.

Nessas horas que eu fico com inveja de vcs, das universidades públicas, que podem, às vezes, deixar o trabalho um pouco de lado e se dedicar à vida acadêmica e aos seus benefícios.

Mas é óbvio que isso são méritos exclusivamente de vcs, que se esforçaram para entrar em uma instituição pública.

Jair Junior disse...

Ah, Bruno, nem é um mérito assim... é um benefício. Temos muitos revezes nas universidades públicas, porém, é uma questão de condições objetivas.
Tenta uma transferência, não sei. E quanto ao que eu passei, vou repetir: Eu tinha uma vida com algumas mordomias, poucas, ams tinha. Quando foi em 2004, quer dizer eu já tinha 3 anos de UFF, eu decidi que ia TER que viver aquilo ali. Abri mão de ter dinheiro, abri mão de sair, abri mão de comprar algumas roupas... essas coisas.

Eu acho que ganhei em alguma coisa.